Com foco nos riscos: Banco de Moçambique discute Políticas Monetária e Macroprudencial

bmjornadas2022.jpgReunindo especialistas financeiros nas XIII Jornadas Científicas, no dia 10 de Junho do ano em curso, na Cidade de Maputo, o Banco de Moçambique (BM) discutiu a “Interacção entre as Políticas Monetária e Macroprudencial em Moçambique”, tendo em conta ao novo paradigma de gestão macroeconómica dos bancos centrais – que integra as políticas monetária e macroprudencial –, bem como aos riscos macrofinanceiros a que o país está exposto.

Segundo o Banco Central, os estudos realizados contribuam para o aprofundamento da investigação sobre a combinação das políticas monetária e macroprudencial, visando torná-las mais eficientes e eficazes, face ao trade-off que o BM enfrenta.

Nesta perspectiva, o BM propõe-se a continuar a aprimorar o quadro da sua política macroprudencial (relacionada com a estabilidade financeiro dos bancos), devendo para tal, manter o foco no acompanhamento constante das dinâmicas internacionais para mitigar os riscos sistémicos.

Durante as jornadas científicas, o Vice-Chefe da Divisão de Políticas Monetárias e Macroprudenciais do Fundo Monetário Internacional (FMI), Luís Brandão-Marques afirmou que a política macroprudencial permite que a política monetária se concentre na sua missão primária de promover a estabilidade de preços, de modo a evitar o conflito com a política de estabilidade financeira. Segundo afirmou, “As políticas monetária e de estabilidade financeira devem estar separadas, com mandatos e estruturas de tomada de decisão independentes, assim como mecanismos de responsabilização e comunicação igualmente separados e ajustados a cada uma das áreas.”

Nesta edição, foram apresentados dois trabalhos seleccionados de um universo de dezasseis propostas inicialmente submetidas. O primeiro, da autoria de Roque Magaia e António Chichava, quadros do BM, teve como tema “Análise do Impacto da Política Macroprudencial na Estabilidade Financeira e sua Interacção com a Política Monetária: Evidência Empírica para o Caso de Moçambique (2004-2020)”.

Na apresentação deste trabalho, os autores afirmaram haver uma interacção positiva e significativa entre as duas políticas apenas no longo prazo. A título de recomendações, propuseram a definição de um quadro formal de condução da política macroprudencial, bem como a adopção de um modelo de interacção entre as duas políticas que assegure que as decisões de política tenham em consideração riscos sistémicos.

O segundo trabalho, da autoria de Ezequiel Moiane, versou sobre a “Análise do Efeito da Interacção entre as Políticas Monetária e Macroprudencial sobre o Nível de Exposição a Riscos pelo Sector Bancário em Moçambique”. Para o autor, a interacção entre as políticas monetária e macroprudencial impacta em todos os rácios macroprudenciais, no médio e longo prazo. Na sua apresentação, o pesquisador recomendou o uso de ferramentas macroprudenciais alternativas às reservas obrigatórias no curto prazo, para garantir uma coordenação eficiente entre as duas políticas e minimizar a possibilidade de dominância macroprudencial, cambial ou fiscal.

Banco de Moçambique mantem a Taxa de Juro de Política Monetária em 15,25%

cpomomaio22.jpgO Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique (BM) decidiu, no dia 19 de Maio corrente, manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 15,25%. Esta decisão é sustentada pelas perspectivas de manutenção da inflação em um dígito no médio prazo, não obstante os elevados riscos e incertezas associados à estas projecções, com destaque para os efeitos da tensão geopolítica na Europa. Entretanto, no curto prazo, a inflação continuará elevada, reflectindo o impacto do ajustamento dos preços dos bens administrados.

Num comunicado aos órgãos de comunicação, o BM refere as perspectivas de inflação mantêm-se em um dígito no médio prazo, não obstante a maior pressão no curto prazo, devido ao ajustamento dos preços dos bens administrados. Em Abril, a inflação anual acelerou para 7,9%, contra 6,7% em Março, a reflectir o aumento dos preços dos combustíveis e dos bens alimentares. A inflação subjacente, que exclui os preços dos bens e serviços administrados e das frutas e vegetais, e que é impactada pela política monetária, mantém-se estável. Para o médio prazo, antevê-se a manutenção da inflação em um dígito, favorecida, em parte, pela estabilidade do Metical.

Os riscos e incertezas associados às projecções de inflação continuam elevados. A nível interno, realçam-se as incertezas quanto a magnitude do aumento dos preços dos bens administrados, com destaque para o combustível e seus efeitos sobre os preços de outros bens e serviços. A nível externo, mantêm-se os constrangimentos nas cadeias de fornecimento de bens e o conflito geopolítico entre a Rússia e Ucrânia, com impacto no aumento do preço do petróleo e dos bens alimentares no mercado internacional.

Mantêm-se as perspectivas de crescimento económico para 2022 e 2023. O produto interno bruto cresceu 4,1% no primeiro trimestre de 2022, a reflectir o contínuo alívio das medidas restritivas para a contenção da COVID-19, que impulsionou sobretudo a hotelaria e restauração, e a melhoria da procura externa que, por sua vez, favoreceu o desempenho da indústria extractiva. Para o curto e médio prazo, mantêm-se as perspectivas de recuperação económica, sustentadas, adicionalmente, pela execução dos projectos energéticos em Inhambane e na bacia do Rovuma, num contexto de retoma do programa com o Fundo Monetário Internacional.

Mantém-se ainda a pressão sobre o endividamento público interno. A dívida pública interna, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 245.6 mil milhões de meticais, o que representa um aumento de 26.7 mil milhões em relação à Dezembro de 2021.

As perspectivas macroeconómicas recentes são consentâneas com a manutenção do actual nível da taxa MIMO no curto prazo, por forma a garantir uma inflação baixa e estável, principal objectivo do Banco de Moçambique. O CPMO continuará a monitorar a evolução dos riscos e incertezas associados às projecções de inflação e não hesitará em tomar as medidas correctivas necessárias.

A próxima reunião ordinária do CPMO está agendada para o dia 27 de Julho de 2022.

Aumenta a Inclusão Financeira em Moçambique

meticalsoberanoEm 2021, o sistema financeiro moçambicano contou com 37 instituições de crédito, contra 40 registadas em 2020, das quais 16 bancos, 12 microbancos, uma sociedade de investimentos (contra uma, em 2020), cinco cooperativas de crédito (contra sete, em 2020) e três Instituições de Moeda Electrónica (IME), indica o Relatório do Banco de Moçambique (BM) sobre a Inclusão Financeira.

Igualmente, segundo o documento, em 2021 o país contou com um total de nove sociedades financeiras, das quais uma sociedade emitente ou gestora de cartões de crédito (contra duas, em 2020) e oito casas de câmbio (contra dez, em 2020). Contou, ainda, com 1.598 operadores de 6 microfinanças (contra 1.124, em 2020), dos quais 12 organizações de poupança e empréstimo e 1.586 operadores de microcrédito. Por fim, um total de 33 instituições na categoria “outras instituições financeiras”, das quais 19 seguradoras e 14 operadores de bolsa.

No concernente à bancarização da economia, medida em termos de número de contas bancárias por 1.000 adultos, em 2021 registou-se 315 contas bancárias por cada 1000 adultos, contra 314, em 2020. Registou-se, igualmente, um incremento no número de contas bancárias, ao passar de 5.116.741, em 2020, para 5.293.240, em 2021, representando um crescimento de 3,4%.

Em termos de expansão das contas em moeda electrónica, o BM indica que em 2021, o país passou a contar com cerca de 67,2% da sua população adulta com uma conta em moeda electrónica aberta junto das IME, contra 66,4% em 2020.

Os dados apresentados pelo BM enquadram-se na Estratégia nacional de Inclusão Financeira (ENIF) 2016 – 2022 e apresenta a evolução dos níveis de inclusão financeira no país até finais de 2021.

Para ler o relatório, clique aqui.

Covid-19 e a guerra Rússia – Ucrânia impactam na inflação em Moçambique

meticalmoeda“Moçambique não pode ficar imune aos acontecimentos globais, sobretudo da Covid-19 e da Guerra Rússia – Ucrânia”

Esta é a constatação do Standard Bank, apresentada no Briefing Económico realizado no passado dia 5 de Maio, na cidade de Maputo.

Segundo Fáusio Mussá, Economista-Chefe do Standard Bank, a inflação mundial, e no país em particular, resulta essencialmente do choque do lado da oferta, causada pela pandemia da Covid-19

No final de 2021 ao nível das economias mais avançadas havia uma tendência de aceleração da inflação e agravou-se com a situação da guerra na Ucrânia aumentando-se os preços dos commodities, sobretudo dos produtos energéticos, como petróleo e gás natural, mas também de importantes produtos alimentares.

Em resposta a esses choques, bancos centrais a nível do mundo têm revisto em altas taxas de juros para conter a procura agregada, dado que existe menor elasticidade oferta no curto prazo.

Para Fáusio Mussá, é preciso reduzir a procura a nível global. Nestes termos, a questão que colocada pelo economista-chefe é: será que a redução da procura a nível mundial induzida pelo aumento de taxas de juros irá levar a economia mundial para uma recessão?

Moçambique sendo um país importador de combustíveis e alimentos, tem, naturalmente, sofrido com a volatilidade destes bens no mercado internacional, com impacto no nível geral de preços.

Ao nível doméstico, no início do ano, previa-se uma inflação em torno de 6 % em 2022. Porém, em Março foi revista para 7,6 %, e em Maio foi actaulizada para 9,4 %.

Para controlar a inflação, o Banco de Moçambique tem mantido uma política monetária restritiva, aumentando as taxas de juros de referência.

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